MUÇULMANOS UNEM-SE E AGUARDAM LEGALIZAÇÃO DA SUA RELIGIÃO

O ex-Conselho Islâmico de Angola (COIA) e a Comunidade Islâmica de Angola (CISA), decidiram, em conferência de imprensa, na mesquita sede, no município de Cazenga, em Luanda, unir-se para pôr fim às desavenças que os separavam para liderar a religião maometana no país.

Por Berlantino Dário e Smith Gomes

Segundo o representante da Comissão para a Reconciliação dos Muçulmanos em Angola (CRMA), Lendo Panzo José, fez saber que a comunidade muçulmana em Angola é uma organização expressa e que existe desde 1978, poucos anos após a proclamação da independência de Angola.

Não obstante constituir uma minoria, o responsável revelou que a comunidade muçulmana em Angola cresceu “rapidamente” por vários factores, sobretudo, a crispação na liderança. Actualmente, a comunidade islâmica está espelhada em todas as províncias do país e que segundo conta, necessita de um acompanhamento “cuidadoso” com estruturas próprias e capazes de orientar os fiéis.

“Infelizmente, a comunidade muçulmana tem sido marcada por várias crispações, sobretudo, no quesito liderança, o que originou a criação de vários grupos rivais ao longo do seu percurso histórico neste país”, afirmou, acrescentando que até à data presente nenhum destes grupos foi oficialmente reconhecido pelo Estado angolano.

Entretanto, de acordo ainda com Lendo José, desde 2018, a comunidade islâmica angolana testemunhou uma “profunda divisão e disputa que colocou frente a frente o ex-COIA e a CISA”, tendo as duas organizações sido inscritas junto do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), aguardando pelo seu reconhecimento, o que resultou na união de ambas as partes tal como regem os preceitos da comunidade islâmica.

A presente comissão é dirigida por uma mesa de mediação composta pelo Sheikh Mamadu Camara – coordenador geral, Sheikh Mamadi Sanoh – vice-coordenador, Xavier Muanza (Mansour) – 1.º vogal, Luíz Lukango – 2.º vogal, Sozinho Bumba – 3.º vogal e Lendo Panzo José – moderador das sessões.

De salientar que, entre Julho de 2024, a Setembro de 2025, a aludida comissão realizou vários trabalhos cujos resultados foram considerados “satisfatórios”, com os seguintes, dentre os distintos pontos consensuais – “Doravante, a estrutura directiva da Comunidade Muçulmana em Angola será denominada exclusivamente por Comunidade Islâmica de Angola com o acrónimo CISA”.

“Em regime transitório, com duração de dois anos a partir da tomada de posse, é indicado o Sheikh Miguel Altino como o presidente da CISA e Sheikh Matezo Luzolo, como o coordenador do Conselho Nacional do Culto, David Alberto Já, como Secretário-Geral e o Sheikh Said Calala como presidente do Conselho Fiscal e Auditoria”, esclarece a nota.

Recorde-se que a CRMA foi criada por iniciativa do presidente do Conselho Islâmico de Moçambique (CISLAMO), Sheikh Aminuddin Mohammed, no que ficou conhecido como acordos de “Epic Sana”, que entrou em efectiva execução após a outorga da carta homologada no dia 7 de Julho de 2024, pelos líderes do Conselho Islâmico de Angola (CONSIA), Sheikh Altino Miguel e da Comunidade Islâmica de Angola, Sheikh Mateta Nzola Khamis, que cessou o mandato por razões de saúde e substituído pelo actual líder da CISA, Sheikh Matezo Luzolo (Muhammad) que deu a continuidade de promover a unificação institucional entre as duas organizações desavindas.

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